28 de janeiro de 2026

Entrevista Drenna Rock Para o blog ROCK BRASILEIRO UNDERGROUND




1) Vocês se lembram quando e como foi o primeiro contato com a música de cada um, especialmente com o velho e bom Rock and Roll? 

A música chegou antes de virar escolha, ela simplesmente estava lá. Minha mãe sempre ouvia Michael Jackson e foi assim que nasceu meu interesse pela guitarra. Um dia eu vi um vídeo em que o Slash fazia uma participação especial no show do Michael Jackson e me apaixonei pela forma que ele tocava guitarra, naquele momento percebi que era isso que eu queria pra minha vida.


2) Na  iniciação com as artes, principalmente a música, vocês  contaram com apoio da família e amigos?

Cada integrante da banda tem uma história diferente em relação a isso. No meu caso, sempre tive apoio e incentivo. Sabemos que seguir uma carreira artística no Brasil exige muita insistência e, para todos nós da banda, o apoio da família foi se fortalecendo com o tempo. Ele se tornou mais sólido quando a música deixou de ser apenas um “sonho” e passou a ser trabalho, estrada e responsabilidade.


3) Como surgiu a banda Drenna Rock? E quais as  principais influências e referências musicais de cada um de vocês e que conjuminaram  dentro da proposta e formação da banda?

A Drenna nasceu da necessidade de dizer algo próprio. De transformar vivência em som. As influências passam pelo Rock nacional e internacional, grunge, alternativo, punk, música urbana. Cada integrante carrega uma bagagem diferente, e é justamente esse encontro de referências que molda o som da banda: Rock com identidade brasileira, contemporâneo e autoral.


4) Quando, onde, e como  foi  a  primeira apresentação da banda Drenna e como foi a receptividade junto ao público com esta única formação?

A primeira apresentação aconteceu de forma crua, sem grandes produções. Foi em um evento de bandas underground no subúrbio do Rio de Janeiro. Eu tinha algumas músicas guardadas na gaveta e, naquele momento, ainda não existia uma banda autoral formada. Quando soube do festival, resolvi me inscrever mesmo sem banda. Juntei alguns amigos, mostrei as músicas e fizemos um ensaio.

Foi ali que percebemos que a banda funcionava ao vivo. A receptividade foi intensa, o público se conectou rapidamente com a proposta e com as letras e por conta disso resolvemos continuar.





5) A banda Drenna ROCK tem feito um grande número de apresentações pelo Brasil em grandes eventos e festivais como o ROCK IN RIO.Qual foi a sensação de terem se apresentado para um grande público e um evento deste porte? E qual expectativa para este ano, já que tem ROCK IN RIO novamente?

Tocar em um festival como o Rock in Rio é uma experiência surreal. Ao mesmo tempo em que você sente o peso da história e a grandiosidade do evento, também vem uma responsabilidade enorme de estar à altura daquele palco. É a confirmação de muitos anos de trabalho, insistência e escolhas feitas ao longo do caminho.

Estar em grandes festivais é sempre muito especial porque não é apenas sobre tocar para quem já acompanha a banda e conhece o nosso som, mas também sobre alcançar um público completamente novo, que muitas vezes tem ali o primeiro contato com a nossa música, ao vivo. É uma oportunidade única de conexão, de ampliar horizontes e de mostrar quem somos em poucos minutos, mas com muita intensidade.

Para este ano, a expectativa é seguir crescendo, ocupando espaços cada vez maiores e levando o nosso Rock autoral para ainda mais pessoas. Se o Rock in Rio voltar a acontecer na nossa trajetória, queremos subir naquele palco ainda mais preparados, com mais estrada, mais identidade e a mesma entrega de sempre.


6) A banda já lançou quais e quantos álbuns? Qual foi o lançamento mais recente e há previsão de um novo trabalho em breve?

Temos dois álbuns e alguns singles lançados. O primeiro foi Desconectar e o segundo, Cisne Negro, que é também o nosso trabalho mais recente em formato de álbum e representa uma fase importante de amadurecimento artístico da banda, tanto musicalmente quanto conceitualmente.

Depois desse lançamento, seguimos apresentando novos caminhos com os singles “Aliens” e “Só o Tempo Irá Dizer”, ambos acompanhados de videoclipes, reforçando a nossa preocupação em unir música e linguagem visual.

No momento, estamos trabalhando em dois novos singles e também na produção de um novo álbum, com lançamento previsto ainda para este ano. A ideia é aprofundar ainda mais a nossa identidade e explorar novas sonoridades, sem perder a essência do Rock que nos trouxe até aqui.


7) A Drenna Rock tem planos de fazer parcerias com Artistas e Bandas do cenário independente?Se sim,  ou não e porque?

Sim, temos planos e acreditamos muito em parcerias. Já vivenciamos isso no álbum Cisne Negro, na música “A Busca”, em parceria com Kauan Calazans. Essas trocas são importantes não só artisticamente, mas também para ampliar diálogos e conexões.

Novas parcerias já estão a caminho. A cena independente se fortalece na troca, e o Rock cresce quando caminha junto, somando vozes, ideias e experiências.


8) Como vocês enxergam o Rock brasileiro das décadas de 80, 90 e início dos anos 2000, em comparação com o cenário atual, em que outros gêneros ganharam protagonismo? O que falta para o Rock voltar a ocupar o espaço e o protagonismo  de antes? 

O Rock das décadas de 80, 90 e início dos anos 2000 contou com muito mais espaço na mídia e nas grandes plataformas de divulgação. Hoje, o cenário é diferente: outros gêneros ganharam protagonismo, mas o Rock não desapareceu. Ele segue vivo, talvez ainda mais diverso, plural e livre, justamente por estar fora do mainstream.

Para voltar a ocupar um lugar de maior destaque, o Rock não precisa repetir fórmulas do passado. Precisa dialogar com o presente, refletir as questões do seu tempo, ocupar novos espaços e se comunicar com novas gerações, sem perder a sua essência.

É exatamente isso que buscamos fazer com a Drenna: construir pontes entre tradição e contemporaneidade, ocupar esses espaços e manter o rock em constante movimento.





9) O Rock nasceu de raízes negras e femininas com Sister Rosetta Tharpe, mas historicamente sempre foi associado ao masculino e ao “universo branco”. Na opinião de cada um, houve avanços nessa questão? Como quebrar paradigmas ainda existentes? E qual o papel das mulheres e das comunidades LGBTQIA+ no Rock atual?

Houve avanços, mas ainda há muito a caminhar. O Rock nasceu negro, feminino e rebelde. Resgatar essa origem é quebrar paradigmas. Mulheres e pessoas LGBTQIA+ têm papel fundamental no Rock atual: trazendo novas narrativas, novos corpos e novas estéticas. O palco precisa refletir o mundo atual e real.


10) Em termos de cena independente e autoral, quais são as principais diferenças e desafios do Brasil em relação à Europa e aos Estados Unidos? O que ainda precisa melhorar para fortalecer o mercado nacional? 

No Brasil, o desafio é estrutural: menos investimento, menos políticas culturais contínuas e menos espaço na mídia. Em compensação, a criatividade é absurda. Para fortalecer o mercado nacional, precisamos de mais circulação, apoio à cena local e valorização do artista autoral.

Nossa cena é muito rica.


11) Para quem ainda não conhecem o trabalho da banda, definam a Drenna Rock:

A Drenna é rock brasileiro autoral, visceral, urbano e contemporâneo. As letras nascem da nossa vivência, do que pensamos, observamos e sentimos no dia a dia. Falamos sobre inquietações, conflitos internos, relações humanas e o mundo ao nosso redor, sempre de forma direta e honesta. No palco, isso se transforma em entrega, intensidade e conexão.


12) Para finalizar: qual mensagem vocês gostariam de deixar para seus fãs, seguidores e leitores do Rock Brasileiro Underground?

Para quem vive o rock: continuem. Criem, ocupem espaços, formem redes, não esperem permissão. O rock sempre foi resistência, e enquanto houver gente sentindo, pensando e questionando, ele vai continuar vivo.


Por Johann Peer Jornalista responsávelsob o n°65.158 MTB/SP e  também, vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.

6 de janeiro de 2026

Workshop on-line da Rádio Word Escola e Produtora

 

Workshop on-line da Rádio Word Escola e Produtora reúne grandes nomes da música e da comunicação para discutir mercado, produção e resistência cultural

 

Johann Peer, jornalista sob o n°65.158/MTB-SP, Vocalista e Compositor da banda PEER & INUMANOS, a serviço do blog Rock Brasileiro Underground.

 

 

No dia 28 de março de 2026, a Rádio Word Escola e Produtora, idealizada pelo Músico e Professor Daniel Gobbo, promove um Workshop on-line que se propõe a ir além da teoria e tocar o cerne da indústria musical contemporânea. Com uma programação extensa e plural, o evento reúne artistas, produtores, educadores e comunicadores que são referências em suas áreas, criando um verdadeiro panorama técnico, cultural e humano do fazer musical no Brasil.

Com transmissão ao vivo pela plataforma Even3, o workshop aposta na interatividade em tempo real, aproximando palestrantes e público por meio de chats e sessões de perguntas e respostas. O objetivo é claro: capacitar profissionais e entusiastas da música, oferecendo insights práticos, relatos de experiência e reflexões estratégicas sobre produção musical, mercado fonográfico, comunicação, educação musical e identidade artística.

Um encontro entre música, mercado e audiovisual.

A abertura do evento contextualiza o público no mercado audiovisual e nas tendências da indústria, preparando o terreno para uma programação que dialoga com os desafios atuais dos artistas independentes.

Das 15h às 16h, Edson Pinto Neves, superintendente da Cinleb TV, apresenta uma visão estratégica sobre a conexão entre música e vídeo, abordando como artistas podem potencializar sua imagem, seus lançamentos e sua presença digital em um cenário cada vez mais multimídia. A palestra destaca o audiovisual como ferramenta essencial para visibilidade, profissionalização e diferenciação no mercado.

 


Resiliência, retorno e liderança artística.

Entre 16h e 17h, o baixista César Augusto conduz a palestra “O Retorno ao Palco: Resiliência, Produção Musical e os Desafios do Mercado da Música Brasileira”, conectando sua trajetória pessoal às transformações do setor. Iniciado na música aos 15 anos, com passagens pelas bandas Rising Edge e Snake Eyes, César compartilha o impacto de um hiato de 23 anos fora dos palcos e o desafio de retomar a carreira em um mercado profundamente transformado.

O músico aborda seu novo ciclo artístico ao assumir o baixo da banda Peer & Inumanos em março de 2024 e, posteriormente, a liderança do grupo em novembro do mesmo ano. A palestra discute produção musical independente, posicionamento em um cenário dominado por gêneros fortes como sertanejo, funk, trap e gospel, além de refletir sobre liderança artística, persistência e paixão. A mensagem central é inspiradora: a música não tem prazo de validade.

 


Do instrumento ao mercado profissional

Das 17h às 18h, o multi-instrumentista De Leon Fernandes apresenta “Música em Foco: De Instrumentista a Profissional do Mercado”. Com mais de 15 anos de carreira, De Leon compartilha estratégias para construção de uma trajetória sólida, destacando a importância do domínio técnico aliado ao conhecimento de mercado, posicionamento profissional e visão de longo prazo para músicos e produtores.

 


Educação musical, jazz e inovação

Na sequência, das 18h às 19h, o educador e músico Adriano Carvalho conduz a palestra “A Educação Musical no Brasil: Desafios, Inovações e o Legado do Jazz no Ensino”. A partir de sua experiência em instituições como FAAM-SP, UNICAMP e FPA-SP, Adriano discute como a educação musical pode dialogar com as demandas contemporâneas sem perder sua ligação com a tradição.

A palestra aborda o uso de novas tecnologias e metodologias pedagógicas, a atuação da empresa Keep on Playing, o impacto do jazz na música brasileira e a influência de Charlie Christian em sua formação. Adriano também destaca o Música Vocacional, projeto de inclusão social na cidade de São Paulo, e reflete sobre o papel do educador como agente de transformação cultural.

 


Underground, identidade e longevidade artística

Das 19h às 20h, o público acompanha China Lee, uma das vozes históricas do metal brasileiro, na palestra “A Jornada do Artista: Da Cena Underground ao Reconhecimento”. Ativo desde os anos 1980, China compartilha sua vivência na indústria musical, técnicas vocais específicas e estratégias de adaptação a um mercado competitivo, sem abrir mão da identidade artística e da paixão pela música.

 


Heavy metal, mercado e grandes palcos

 

Entre 20h e 21h, o vocalista do Korzus, Marcelo Pompeu, apresenta uma das palestras mais aguardadas do evento. Com uma carreira marcada por mais de três décadas, Pompeu aborda criação de identidade visual, figurinos, performance de palco e estratégias de posicionamento no mercado do rock e metal.

A palestra também destaca conquistas como Grammy Latino, Disco de Ouro e Platina e experiências em grandes festivais — Rock in Rio, Monster of Rock, Knotfest, The Town, Summer Breeze Brasil, entre outros. Pompeu reflete sobre autenticidade versus profissionalismo, liderança artística e a importância de manter viva a chama do heavy metal brasileiro.

 


Comunicação, resistência e cena independente

 

Encerrando a programação, das 21h às 22h, Kaká Schwarzmann apresenta “O Rock Vive! – A Força da Comunicação, da Cena Independente e da Resistência Cultural no Brasil”. A palestra discute o rock como movimento cultural e social, enfatizando o papel do jornalismo musical, da mídia alternativa e da comunicação independente na valorização de artistas fora do mainstream.

Kaká compartilha histórias do projeto Tour Rock Brasil, bastidores de estrada, o caminho até o Guinness World Records como símbolo de persistência, além de reflexões sobre mulheres no rock, parcerias entre comunicadores e músicos e estratégias para o futuro da cena independente.

 


Este  workshop é para quem vive e constrói a música.

Voltado a músicos, produtores, compositores, estudantes de música, comunicadores e interessados na indústria fonográfica, o Workshop on-line da Rádio Word se consolida como um espaço de formação, troca e inspiração, unindo técnica, mercado, cultura e resistência artística.

Mais informações e inscrições estão disponíveis na página oficial do evento na plataforma Even3:

 

https://www.even3.com.br/workshop-radio-wordescola-e-produtora-musical-631645/