18 de fevereiro de 2026

Entrevista com D.O.S.




A lendária banda de Trashcore paulista D.O.S. – Deformação da Sociedade e Bandas Metallstein e JC Pactus se apresentam no icônico WOODSTOCK ROCK STORE

Dia 21/02 A partir das 15:00

WOODSTOCK ROCK STORE

Endereço: Rua Dr. Falcão Filho 155, São Paulo, SP - CEP: 01007-010

Telefone: (11) 3101-7297

 

D.O.S. – Deformação da Sociedade: quando o crossover vira denúncia e resistência

Do caos urbano ao grito coletivo: mais de três décadas transformando indignação em música extrema.

Nascida entre becos violentos, silêncios cúmplices e estruturas sociais em colapso, a D.O.S. (Deformação da Sociedade) não é apenas uma banda — é um manifesto sonoro. Forjada no final dos anos 80 e início dos 90, a trajetória do grupo atravessa décadas de mudanças políticas, culturais e musicais sem jamais abandonar sua essência: confrontar a opressão, denunciar injustiças e amplificar vozes silenciadas através de um crossover brutal e consciente.

Em 2025, a D.O.S. retorna com formação renovada e a mesma fúria que a fez nascer. Ame ou odeie: eles não vão se calar.

A gênese da D.O.S. está diretamente ligada a uma experiência traumática vivida por seu fundador, Edson Khaos. Após deixar sua antiga banda — onde atuava como baixista — Edson testemunhou uma agressão brutal contra uma mulher nas ruas. Pouco depois, ao assistir ao filme O Justiceiro, encontrou na música o canal para transformar revolta em ação. Ali surgia a essência da D.O.S.: uma banda criada para denunciar as mazelas sociais e enfrentar um sistema corrompido.

A formação original contou com Mauro (vocal), Edson Khaos (baixo), Claudomiro e André (guitarras) e Val (bateria). Com o tempo, Khaos assume os vocais, André migra para o baixo, e a sonoridade passa a incorporar influências do crossover hardcore finlandês, somadas à agressividade do thrash americano e alemão.

Os anos 90 foram marcados por pausas e reformulações. Em 1999, sob nova liderança com Rodrigo Artourios e Juliana, a banda retorna mergulhando em um hardcore mais cru e direto, consolidando presença no underground paulista, com apresentações no Hangar 110 e destaque na revista Metal HeaD.

Em 2011, Edson Khaos reassume o comando, motivado pela constatação de que as injustiças que o impulsionaram nos anos 80 permaneciam intactas. Com Diego (guitarra), Danielson (baixo) e Wander (bateria), lançam em 2012 o álbum Deformação da Sociedade e, em 2013, o EP Prenúncio do Caos. Em 2014, dividem palco com a lendária Salário Mínimo.

A banda passa por diversas formações, incluindo músicos como Dogma (ex-Soldado Nuclear), Thiago (ex-Extreme Hate) e o retorno de Val à bateria. O trio Edson, Claudomiro e Val mantém vivo o som combativo por um período importante.

Em 2017, durante o show “Calvário”, Daniel ingressa na banda, trazendo sua noiva Vania para o baixo. A D.O.S. participa de eventos como Crash Church, Independência Fest Rock e Festival Fim do Mundo, além de integrar a coletânea Cristo Suburbano Vol. 5. Nesse ciclo, lançam o EP Feminicídio, reforçando o engajamento com pautas urgentes.

Após novo hiato, o grupo ressurge em 2022 com o EP Acertos de Conta, ao lado de Walter (guitarra), Wagner (baixo) e Léo (bateria), todos ex-Porão 9. Em 2023, seguem ativos com Daniel, Josias e Deio, participando de eventos como Refúgio Moriah e Refúgio do Rock. Dessa fase nasce o projeto paralelo Couraça da Justiça.

Agora, em 2025, a D.O.S. retorna mais afiada do que nunca:

Edson Khaos (vocal), Diego (guitarra), Daniel (baixo) e Samuel Silas (bateria) formam a nova linha de frente.

Análise / Crítica técnica

Musicalmente, a D.O.S. constrói seu discurso através de riffs cortantes, bateria seca e vocais rasgados que dialogam com o hardcore, thrash e punk crossover. Não há espaço para ornamentos: o som é direto, agressivo e politizado.

A faixa “Happy Die” tornou-se um verdadeiro hino da banda, figurando em coletâneas como Cooperativa Punk e Cristo Suburbano, extrapolando seus próprios lançamentos.

As letras abordam temas como: 

• Violência contra a mulher

• Opressão sistêmica

• Colapso ético das estruturas de poder

 

A discografia distribuída pelo selo Rádio Word — presente em mais de 100 plataformas digitais — inclui:

Feminicídio (EP)

Feminicídio II (EP)

Prenúncio do Caos (EP)

Denunciando as Mazelas da Sociedade (CD)


Cada lançamento reafirma o compromisso da banda com uma arte que incomoda, provoca e exige posicionamento. 

Entrevistas / Contexto

Para Edson Khaos, a D.O.S. sempre foi mais do que música:

“As injustiças continuam as mesmas. O que mudou foi a forma como tentam silenciar quem denuncia. A banda existe porque o sistema ainda falha com os mais vulneráveis.”

Em tempos de censura velada, conformismo artístico e bandas neutralizadas pelo mercado, a D.O.S. se mantém como uma trincheira cultural.

Eles não fazem trilha sonora para distração. Fazem para despertar.

A D.O.S. não busca consenso. Busca confronto.

Com mais de três décadas de história, múltiplas formações e uma obra profundamente engajada, o grupo segue como uma das vozes mais coerentes do underground brasileiro. Seu crossover não é apenas estilístico — é político, social e humano.

Em 2025, enquanto muitos se calam, a D.O.S. grita.

 

Ame ou odeie.

O D.O.S. é o terror do Papa Leão XIV.

E eles não vão parar.

 


14 de fevereiro de 2026

Entrevista com Distraught

 


Distraught: mais de três décadas transformando thrash metal em denúncia social

Da cena underground de Porto Alegre aos palcos internacionais, banda gaúcha consolida trajetória marcada por atitude, crítica e resistência sonora

 

Formada no início dos anos 1990, em Porto Alegre (RS), a Distraught construiu uma carreira sólida dentro do thrash metal brasileiro ao longo de mais de três décadas. Nascida em meio ao efervescente circuito underground, a banda transformou influências clássicas do gênero em uma identidade própria, marcada por letras politizadas, energia de palco e reconhecimento internacional. Entre discos, turnês e momentos históricos — como dividir o palco com o Megadeth —, o grupo segue ativo, usando a música como ferramenta de protesto em um mundo atravessado por crises sociais, ambientais e humanas.

 

Raízes no underground e paixão pelo som pesado

 

A Distraught surgiu em 1990, quando a cena do metal extremo ainda se articulava por meio de fanzines xerocados, demos enviadas pelo correio e divulgação artesanal de shows. Segundo o guitarrista André, o início foi despretensioso: jovens músicos movidos pela paixão pelo som pesado e pelo desejo de se divertir.

 

As primeiras referências vieram de bandas como Suicidal Tendencies e S.O.D., mas logo o thrash metal se tornou a linguagem definitiva do grupo. Slayer, Exodus, Kreator, Metallica e Sepultura ajudaram a moldar o caminho inicial, sem apagar a busca por uma identidade própria. Com o tempo, a banda passou a desenvolver sua própria “fórmula” de composição, consolidando um som agressivo, técnico e autoral.

 

Discos, estrada e afirmação artística

O primeiro álbum cheio, Nervous System (1998), marcou o ingresso definitivo da Distraught no circuito nacional de shows. Lançado de forma totalmente independente, com tiragem de 1.500 cópias, o disco foi amplamente enviado pelo correio para rádios e veículos internacionais, ampliando o alcance da banda além do Brasil.

 

Antes disso, a participação em um split CD com Scars e Zero Vision, pelo selo Encore Records, e a presença em coletâneas da revista Planet Metal ajudaram a fortalecer o nome do grupo no underground. Já o registro ao vivo Live Black Jack, gravado de maneira quase acidental, evidenciou a força da banda nos palcos — característica frequentemente elogiada pela crítica especializada.

 

A virada de chave veio com   Behind the Veil, álbum que levou a Distraught a uma turnê de um mês pelo Brasil em 2005. Para André, foi nesse momento que a banda encontrou definitivamente sua identidade sonora. O reconhecimento veio também da imprensa: a revista Roadie Crew apontou o grupo como uma das grandes revelações do thrash metal brasileiro da década.

 

Metal como protesto e consciência social

 

Mais do que velocidade e peso, a Distraught sempre tratou o thrash como instrumento de crítica. Desde o início, as letras abordam temas como corrupção, violência urbana, alienação social e sofrimento psíquico. Para o vocalista Ricardo, essas narrativas nascem da vida real e refletem um sistema que normaliza desigualdade e repressão.

 

Essa postura fica evidente em Locked Forever, álbum que dialoga diretamente com a história dos manicômios brasileiros e com o livro Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex. O trabalho denuncia décadas de exclusão e desumanização na psiquiatria nacional, conectando música extrema a memória social.

 

A expansão internacional também ampliou a percepção da banda sobre sua própria obra. Com o lançamento de Unnatural Display of Art no Japão, pelo selo Spiritual Beast, e turnês pela Argentina, a Distraught passou a dialogar com públicos de diferentes culturas. Segundo Ricardo, ver pessoas de outros países reagindo às mesmas músicas reforçou a universalidade das emoções transmitidas pelo som.

 

Momentos emblemáticos, como dividir o palco com o Megadeth em Porto Alegre, durante a turnê de 20 anos de Rust in Peace, marcaram a trajetória do grupo. O elogio de Dave Mustaine nos bastidores funcionou como validação artística e fortaleceu a autoconfiança da banda.

 

Visualmente, a identidade da Distraught também se consolidou com capas assinadas por Marcelo Vasco, construídas a partir dos conceitos líricos de cada álbum. Paralelamente, o grupo se permite revisitar clássicos, como Helter Skelter (Beatles) e músicas do Motörhead, reinterpretando essas obras sob o espírito rebelde do metal.

 

Nos trabalhos mais recentes, temas como depressão e saúde mental ganham destaque, como em Crucified Life, refletindo o impacto das pressões contemporâneas e da hiperestimulação provocada pelas redes sociais.

 

O EP conceitual inVolution aprofunda essa abordagem ao relacionar cada faixa simbolicamente aos cinco elementos da natureza, inspirado por tragédias ambientais como as enchentes no Rio Grande do Sul e as queimadas no Pantanal. A obra propõe uma leitura crítica da regressão humana diante do colapso ambiental.

 

A bandeira do  Thrash metal como resistência permanente

 

Após mais de 30 anos de estrada, a Distraught segue criativamente inquieta e politicamente ativa. Para André, a motivação continua sendo apontar o que está errado e provocar reflexão. Ricardo resume o espírito da banda: fazer thrash metal é, acima de tudo, protesto.

 

Em um cenário de crise moral, ambiental e social, o grupo reafirma seu compromisso com o peso, a pressão e a denúncia — transformando riffs acelerados em consciência crítica.

 

A discografia da Distraught está disponível nas principais plataformas digitais, e novidades sobre lançamentos e shows podem ser acompanhadas pelas redes oficiais da banda.

 

Matéria exclusiva com André (Guitarra) e Ricardo (Vocalista),  da lendária  banda de Trash Distraught para Johann Peer, jornalista responsável sob n°65.158 MTB/SP com a colaboração de Johnny Z. Johann também é vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.